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Criptografia de dados e gestão de chaves

A criptografia padrão do provedor de nuvem protege o disco contra roubo físico. Ela não impede que alguém com acesso à aplicação, ou a uma cópia do banco, leia os dados. Para CPF, dados de saúde, documentos e informação financeira, costuma ser necessária uma camada a mais.

Em muitos casos o algoritmo escolhido está correto e a falha está nas chaves: guardadas no mesmo lugar que os dados, versionadas no repositório ou presentes no JavaScript enviado ao navegador. A LGPD, no art. 48, § 3º, manda considerar se os dados vazados estavam ininteligíveis ao avaliar a gravidade de um incidente.

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Quando faz sentido

  • O sistema armazena dado pessoal sensível, como define o art. 5º, II, da LGPD.
  • Um questionário de segurança perguntou como os dados são cifrados e quem tem acesso às chaves.
  • Uma chave ou senha de serviço apareceu em repositório, log ou mensagem.
  • Backups são copiados para fora do ambiente principal.

O que fazemos

Em trânsito
TLS 1.2 ou superior em todas as conexões, inclusive entre serviços internos e com o banco, HSTS ativo e certificados com renovação automática.
Em repouso
Cifragem de campos sensíveis na aplicação ou no banco, com escolha entre cifragem que permite busca e cifragem forte, conforme o uso de cada campo.
Senhas
Hash com Argon2id ou bcrypt e custo adequado, migração gradual de hashes antigos no próximo login do usuário.
Chaves e segredos
Segredos em cofre ou em variáveis de ambiente protegidas, nunca no código. Rotação periódica e acesso restrito por serviço.
Tokens e identificadores
Geração com fonte criptograficamente segura. Códigos de acompanhamento e links públicos que não possam ser adivinhados.
Backups
Cópias cifradas, com chave separada, e teste de restauração documentado.

O que você recebe

  • Mapa de onde cada dado sensível é cifrado e com qual chave.
  • Correções aplicadas ou documentadas.
  • Procedimento de rotação de chaves e de resposta a vazamento de segredo.

Referências

  • OWASP Top 10:2025, A04 (falhas criptográficas)
  • OWASP Cryptographic Storage Cheat Sheet
  • OWASP Password Storage Cheat Sheet
  • RFC 8446 (TLS 1.3) e RFC 8996 (fim do TLS 1.0 e 1.1)
  • NIST FIPS 203 (ML-KEM)
  • LGPD, arts. 46 e 48, § 3º

Perguntas frequentes

A criptografia do provedor de nuvem não é suficiente?

Ela protege o disco físico e as cópias da infraestrutura. Quem acessa o banco pela aplicação, por uma credencial vazada ou por um backup exportado continua vendo os dados em claro. Para CPF, dados de saúde e informação financeira, costuma ser necessário cifrar os campos na aplicação, com chaves que o banco não conhece.

A LGPD obriga a criptografar os dados?

A lei não usa a palavra criptografia. O art. 46 exige medidas de segurança técnicas e administrativas aptas a proteger os dados pessoais, e o art. 48, § 3º, manda considerar, na avaliação da gravidade de um incidente, se os dados afetados estavam ininteligíveis para terceiros não autorizados. Na prática, a cifragem pesa a favor da empresa quando algo vaza.

Um dado cifrado deixa de ser dado pessoal?

Não. Pelo art. 12 da LGPD, só o dado anonimizado sai do alcance da lei, e desde que a anonimização não possa ser revertida com esforços razoáveis. A cifragem é reversível por quem tem a chave, então o dado cifrado continua sujeito a todas as obrigações da lei.

TLS 1.2 ainda é aceitável ou é preciso migrar para o TLS 1.3?

O TLS 1.2 com conjuntos de cifras modernos ainda é aceito. O TLS 1.3 (RFC 8446) removeu algoritmos legados, cifra a maior parte da negociação e garante sigilo futuro em toda troca de chaves. As versões 1.0 e 1.1 foram descontinuadas pelo RFC 8996 e não devem ser aceitas.

Argon2id ou bcrypt para senhas?

Os dois servem, com os parâmetros certos. A OWASP recomenda Argon2id com no mínimo 19 MiB de memória, 2 iterações e paralelismo 1. Para bcrypt, recomenda fator de custo 10 ou mais e lembra que o algoritmo só considera os primeiros 72 bytes da senha. Quando há exigência FIPS-140, a indicação é PBKDF2 com HMAC-SHA-256 e pelo menos 600 mil iterações.

Onde as chaves devem ficar guardadas?

Longe dos dados que protegem. O modelo mais usado é o de envelope: uma chave cifra os dados e outra, guardada em serviço de gestão de chaves ou HSM, cifra a primeira. Chave no código, no repositório ou no JavaScript enviado ao navegador equivale a não ter criptografia.

A criptografia deixa o sistema mais lento?

Cifrar e decifrar um campo custa pouco. O impacto real aparece nas buscas, porque um campo cifrado não pode ser filtrado nem ordenado como texto comum. Para busca exata, costuma-se guardar ao lado um índice derivado por HMAC, e isso precisa ser previsto no desenho de cada campo.

Uma chave vazou. O que fazer primeiro?

Revogar a chave e emitir outra antes de investigar. Apagar o arquivo ou reescrever o histórico do repositório não basta, porque clones, forks e caches mantêm a cópia. Em seguida, verifique nos logs o que foi acessado com a chave. Se houver dado pessoal com risco ou dano relevante aos titulares, a Resolução CD/ANPD nº 15/2024 dá três dias úteis para comunicar a ANPD e os titulares.

A computação quântica muda alguma coisa agora?

Para a maioria das empresas, o passo imediato é saber onde se usa RSA e curvas elípticas e por quanto tempo cada dado precisa ficar sigiloso. Em agosto de 2024, o NIST publicou o FIPS 203 (ML-KEM), primeiro padrão de troca de chaves resistente a computadores quânticos. Com esse inventário em dia, a migração acontece sem refazer o sistema quando bibliotecas e provedores adotarem o padrão.

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